sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Dita Von Teese em ensaio lésbico e na boate The Week


A atriz e dançarina burlesca Dita Von Teese fará uma apresentação na boate The Week, no próximo dia 28/10. Responsável por reinventar a estética pin up dos anos 40 e 50, trará ao Brasil o espetáculo Be Cointreauversial, em show reservado para 400 convidados.

O gênero musical das novas pin-ups, reinventadas por Dita é o psychobilly, que mistura o punk do final dos anos 70 e começo dos 80 e o rockabilly norte-americano dos anos 50. No visual, fora o indispensável corset, rola também uma mescla de calças e saias cintura alta, saltos altos, blusas xadrez e vestido de bolinha, com tatuagens, piercings e acessórios de caveira e teias de aranha. Mais infos sobre o show ao fim do post. Também vídeo com a diva como aperitivo.

Mas Dita também está na boca do povo no momento pelas fotos fetichistas lésbicas (como nas fotos desta postagem) que fez com a coelhinha da Playboy Alley Baggett, em 1999, e que estão circulando pela Web. Veja mais fotos do ensaio, clicando aqui.


Dita from enkil on Vimeo.
The Week - Rua Guaicurus, 324; (11) 3872-9966
Bar Z Carniceria - Rua Augusta, 934; (11) 2936-0934
Onde comprar: Cherry Pie - Galeria Ouro Fino, Loja 119, Rua Augusta, 2690; (11) 3061-2739;
www.cherrypie.com.br
Universo Pop - Rua Augusta, 2247; (11) 3062-2064;
http://www.universopop.com.br/

A cena BDSM pelo pesquisador Bruno DallaCort Zilli
























BDSM é um acrônimo para bondage, disciplina, dominação e submissão, e sadismo e masoquismo. O BDSM envolve ainda o fetichismo. Embora sejam classificadas como distúrbios sexuais pela medicina, tais atividades sexuais são regidas por um conjunto de “ferramentas de segurança e argumentação” – as quais incluem a chamada safe word, o respeito ao consentimento do parceiro e o conceito SSC (são, seguro e consentido) – criadas e definidas por seus praticantes no sentido de legitimar essas atividades e afastá-las do rótulo da perversão e da patologização. A internet tornou-se assim o principal espaço onde os praticantes do BDSM se comunicam para trocar experiências e organizar-se politicamente para combater o estigma e o preconceito que os perseguem, conforme afirma o pesquisador Bruno DallaCort Zilli no artigo “BDSM de A a Z: a despatologização através do consentimento nos ‘manuais’ da Internet”, desdobramento de sua dissertação de mestrado defendida no Instituto de Medicina Social (IMS/UERJ) em 2007.

Na pesquisa, feita pela internet, Zilli faz uma análise etnográfica do fluxo de informação contido na web, nos canais que permitem que os praticantes do BDSM entrem em contato uns com os outros, focando-se principalmente nos elementos textuais que contém informações sobre o BDSM, os quais o autor chama de “manuais”.

Um dos autores dos 20 artigos que compõem a coletânea “Prazeres Dissidentes”, lançada pelo CLAM e Editora Garamond no dia 21 de outubro em São Paulo (10 de novembro será no Rio de Janeiro), Bruno Zilli explica nesta entrevista as maneiras pelas quais se constroem subjetividades e identidades coletivas a partir da prática BDSM, interpretando os discursos que seus praticantes utilizam para legitimá-la.

Como explicar ou conceituar o BDSM para além do acrônimo usado para defini-lo?O próprio acrônimo já indica o esforço de legitimação que caracteriza o BDSM, por parte dos próprios adeptos, no sentido de ressignificar as práticas. Quem não pratica ou conhece o BDSM geralmente define estas atividades como sadomasoquismo, ou mais comumente, como perversões sexuais. No meu estudo eu as entendi como um conjunto de atividades sexuais que formam uma identidade sexual. Os seus adeptos se identificam como praticantes de BDSM, e alguns dizem “Eu sou BDSMista”.

Qual o papel e a importância do consentimento na prática do BDSM?O senso comum considera o BSM como uma coisa patológica ou criminosa. No entanto, há um esforço entre seus adeptos em legitimá-lo, tornar a prática “politicamente correta”, que se dá através de “ferramentas argumentativas” como o conceito de SSC (que significa que a atividade é sã, segura e consentida). Nenhuma das atividades BDSM deve ser praticada sem que todos os indivíduos concordem com o que esteja acontecendo, para os envolvidos tem que haver consentimento. O dialogo é muito importante entre seus praticantes.

Esse diálogo se dá no sentido de negociar...
Sim, é necessário que cada praticante saiba tudo o que vai acontecer para que possa dar o seu aval. As pessoas entram em acordo sobre o que as excita e o que não, o que esperam do parceiro e o que não desejam, o que não consideram prazeroso. Nesse sentido podemos dizer que o BDSM também é um “jogo erótico”, praticado para estimular o prazer, mesmo que algumas vezes seja através da dor. Não necessariamente uma dor física, pois o prazer pode se dar através da “dor emocional”, uma humilhação simulada, por exemplo. E são esses elementos que dão o sentido erótico destas atividades: a dor e a humilhação.

Todas essas “ferramentas de segurança” e a simulação nos dão uma idéia de que se trata de um jogo cênico. Mas isto não acaba descaracterizando um pouco a prática, tendo em vista que a violência, neste caso, é a fonte do erótico?
De fato, alguns praticantes de BDSM consideram haver um elemento de atuação. Há inclusive debates dentro da comunidade BDSM sobre o que seria o “BDSM real”, e sobre quais os limites do consentimento ou da negociação. Contudo, há o estimulo baseado na dor, e esta é real. E isso é considerado prazeroso. Mas há também a idéia de cuidado e segurança. Por exemplo, os praticantes afirmam que é preciso saber como se amarra uma pessoa sem prender a sua circulação sanguínea. Também, por exemplo, ensinam que se deve evitar bater na região do torso, onde ficam os órgãos vitais. Alguns praticantes falam sobre como essa negociação é erótica em si mesma. A prática não deixa de ter um caráter erótico só porque está sendo “encenada”.

Pode-se perceber que o que se busca com estes cuidados é uma sexualidade legítima, e por isso todos os elementos ilegítimos são expurgados do BDSM, como a violência real. A violência é o principal elemento do BDSM, mas também é o que precisa ser “apaziguado”. Nesse sentido, é possível falar de uma “domesticação” da violência, que é elaborada através do consentimento em algo legítimo e aceitável – justamente porque é consentida.

Qual a relação do esforço dos argumentos de legitimação do BDSM e a medicina?Os praticantes estão desenvolvendo todo esse conjunto de argumentação para afastar a prática BDSM da criminalidade e da patologia. As perversões são definidas no final do século XIX já com esses nomes que conhecemos – sadismo, masoquismo, o fetichismo a homossexualidade (que saiu deste rol na década de 70 graças aos esforços do movimento gay norteamericano) e se mantiveram estáveis enquanto categorias diagnósticas dentro das classificações psiquiátricas. Dentro da medicina, e da psiquiatria em especial, ainda são consideradas um comportamento patológico. Mas pelas definições médicas, o masoquista só consegue prazer através da dor, o sádico só consegue ter prazer causando esta dor, e o fetichista só se excita com algumas partes do corpo ou objetos específicos, como pés ou couro. Esta exclusividade de só conseguir o prazer em causar ou receber dor ou com certos fetiches é uma das características do diagnostico psiquiátrico para estes transtornos mentais. Entende-se que estes transtornos são realizados contra pessoas que não consentem serem alvo destes desejos. Mas, afirmam os praticantes de BDSM, é sempre consentido o que eles fazem, nunca estão agindo contra a vontade de alguém. Dessa maneira eles desassociam suas práticas das patologias sexuais, que não são consentidas. Além disto, os praticantes reconhecem que não dependem exclusivamente do BDSM para ter prazer, diferente da exclusividade que é descrita como patológica pelos manuais psiquiátricos.

Sua pesquisa analisa os “manuais” de BDSM na Internet, isto é, espaços virtuais onde circulam informações e argumentação sobre a prática, organizados pelos adeptos. Em que medida esses espaços são usados para legitimar essas atividades?
Há um conjunto de regras e definições que circulam em ambientes virtuais que são elaborados pelos praticantes, e que eu chamo de “manuais” - e que podem ser páginas, listas de discussão por e-mail e fóruns, e que não têm um formato único – embora o conteúdo seja sempre muito parecido. Nestes espaços da Internet o BDSM, seus conceitos, atividades e definições são debatidos e refinados pelos seus adeptos. O SSC, por exemplo, tem sua definição mais fechada, mas ainda existem diferenças e desacordos que vão sendo aos poucos negociados para alcançarem uma sintonia maior. Os próprios praticantes reconhecem nestes espaços que o consentimento tem fronteiras e limites, mesmo como uma ferramenta de legitimação e de segurança. Eles debatem esses limites, sempre buscando desenvolver um guia de práticas que sejam mais seguras e legítimas possíveis. Eles entendem que é preciso ter conhecimento para praticar o BDSM. A assimilação dessas regras é parte essencial da prática BDSM. Como saber usar a safe word para negociar o consentimento, por exemplo.

O que é a safe word?
Algum tipo de sinal – que pode ser uma palavra ou gesto – previamente combinado antes da atividade BDSM ser executada que, quando dado no meio da atividade, faz com que tudo pare, porque alguma coisa não está mais dando certo, alguém não está confortável com o que esta acontecendo ou algum limite foi ultrapassado. Por esse motivo, nunca são usadas palavras como “Não” ou “Pare”. A safe word tem que ser uma palavra que não remeta ao contexto erótico do que está sendo praticado. Pode ser uma palavra neutra, que descreva uma cor, como “Amarelo”.

Então ela é combinada previamente?
Sim. Sempre vai se combinar uma safe word, para caso aconteça algo que um participante não goste, mas que acabe sendo feito por seu(s) parceiros(s), ele tenha uma maneira clara e direta de comunicar seu incômodo. É por isso também que o conteúdo das atividades BDSM são geralmente pré-combinados. As práticas estão associadas ao gosto das pessoas. A pessoa que gosta de dominar ou de bater é conhecida como top, e a que gosta de apanhar ou ser submissa é definida como bottom. Há pessoas que se sentem à vontade para desempenhar os dois papéis dependendo com quem estejam. As pessoas que fazem as duas coisas são conhecidas como switchers. Mulheres podem ser tops, pois não é preciso ter um falo. Dominação e sadismo não estão ligados à penetração ou ao estímulo genital, necessariamente. Embora no vocabulário gay norteamericano bottom se refira a quem é penetrado na relação sexual, no BDSM o bottom poder agir como penetrador. Seu papel ainda é de submissão – ele penetra porque a outra pessoa o está “obrigando” a fazer isso dentro do contexto da “atuação” da dominação e submissão. Os praticantes de BDSM entendem que é importante conhecer todas essas definições e nomes.

Não seria este o papel do que você chama de “manuais” em seu trabalho?
Exatamente. O primeiro papel dos manuais é informar, e quem não conhece passa a ter a oportunidade de conhecer. O segundo é ajudar a pessoa que pratica o BDSM a falar dessas atividades de maneira a legitimá-las, explicar que existem regras e guias de atividades de como praticar com segurança o BDSM.

Qual a importância da internet para os praticantes do BDSM?
Além da possibilidade de acessar esse material, a Internet dá a possibilidade do anonimato, o que facilita entrar em contato com outras pessoas que têm gostos semelhantes. Mas também permite que as pessoas debatam e divulguem os conceitos e definições do BDSM. Ao fazer a pesquisa, percebi que havia uma grande quantidade de material online, facilmente acessível, e que o seu conteúdo é muito importante para entender o BDSM.

A preferência e o gosto pelo BDSM são algumas vezes explicados, nos discursos patologizantes, como resultado de algum tipo de trauma na infância da pessoa que o pratica. Como esse tipo de discurso é recebido no circuito pesquisado?
Os praticantes se afastam dessas afirmações. Dizem que é uma prática saudável e não identificam em si mesmos um percentual de traumas e abusos na infância. Um dos esforços principais dos praticantes de BDSM, e que aparece também nos manuais e nos argumentos ao redor do consentimento, é escapar da idéia de que estas atividades são patológicas e abusivas. Os praticantes dizem que não dá para explicar o prazer pela dor, assim como não se explica a orientação sexual de uma pessoa. Definem suas práticas como um direito de exercer sua sexualidade – sem deixar de entender que possuem deveres, que seria a responsabilidade de respeitar o consentimento alheio em participar ou não destas atividades.

Fonte: Centro latino-americano em sexualidade e direitos humanos

terça-feira, 8 de setembro de 2009

True Blood - Vampiros e humanos em relação D/s


Falar bem de True Blood sempre será pouco. No mar de mesmice generalizada, a série inovou nem tanto por apresentar vampiros (o que está muito na moda), mas por apresentá-los tão humanos.

No mundo de True Blood, os vampiros conseguem conviver com os humanos, sem matá-los, porque podem tomar o sangue artificial, criado por japoneses, chamado exatamente de True Blood. Como grupo estigmatizado, os vampiros buscam direitos e a eliminação da visão negativa que os humanos têm deles. Organizações religiosas se opõem a integração dos vampiros, enfatizando que são criaturas do demônio e tentando inclusive destruí-los.

As referências dessa situação com a situação real de grupos discriminados, como homossexuais e outros, é muito óbvia, porém o mais interessante é ver como o diretor consegue criar uma sensação de realismo tão grande a partir desses personagens de imaginação. E não só em relação aos vampiros. Com o desenrolar da série, todos os caipiras de Bon Temps, cidadezinha de Louisiana, onde se desenrola o enredo, tão aparentemente comuns, começam a mostrar que de perto ninguém é mesmo normal. Aparece gente capaz de se transmutar em animais, telepatas, deusas matriarcais também sanguinolentas, etcetera...

E mais interessante ainda, para quem curte BDSM, é ver como as relações dos humanos com os vampiros parecem relações D/s, fora o visual dress-code. São relações muito intensas eroticamente, mas naturalmente verticais, dadas às diferenças de poder entre ambos, e os vampiros tratam seus humanos como posses, embora também por eles se apaixonem.

Legal demais, posto abaixo o vídeo de uma cena dos protagonistas da série no bar vampiresco chamado Fangtasia (fang é presa em inglês). Vejam que look fetichista do povo local. E no cartaz da série acima está escrito "dói tão gostoso"...rsss. Quem ainda não assiste a série, comece a vê-la aos domingos, pela HBO, às 22:00. Vale realmente a pena. A primeira temporada já está à venda em DVD.

True Blood
Direção: John Dahl
Elenco: Anna Paquin, Stephen Moyer, Sam Trammel, Ryan Kwanten, Rutina Wesley

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Roqueira Pitty encarna pin-ups fetichistas

A roqueira Pitty deu um tempo da carreira e deixou um pacotão de férias para seus fãs irem matando a saudade dela. Como parte do pacotão, consta um ensaio fotográfico com a cantora e compositora onde ela homenageia as famosas pin-ups da década de 50.

Segundo Pitty, ela havia cortado o cabelo com uma franja à la Bettie Page, e o look não passou despercebido do fotógrafo Adrian Benedykt que a convidou para o ensaio fotográfico.

Pitty diz que sempre se amarrou no visual da Dita Von Teese e da Bettie Page. Será que só no visual? Enfim, as fotos ficaram bem legais. Posto umas aqui e convido a tod@s a conferir o ensaio geral no site da roqueira, clicando aqui.














quarta-feira, 20 de maio de 2009

Sadomasoquismo é normal?

Especialista em sexualidade explica quais são os limites para quem gosta desse tipo de fantasia

Vladimir Maluf

Muita gente fica horrorizada ao tomar conhecimento de certas práticas sexuais, principalmente as que envolvem algum tipo de dor. Mas para muita gente o sadomasoquismo é a maneira mais prazerosa de fazer sexo. Ou, como os praticantes chamam, BDSM (abreviação de Bondage, Dominação, Sadismo e Masoquismo). O psicoterapeuta sexual Oswaldo Rodrigues, que é diretor do Instituto Paulista de Sexualidade, explica: afinal, sadomasoquismo é normal?

Segundo ele, a dor pode ser muito próxima do prazer para muitas pessoas. “Para alguns, a obtenção de dor associada ao erotismo é muito importante e aprendida desde a infância. Ao associar constantemente o significado erótico às situações de submissão à dor, a pessoa passa a ser o que produz o prazer sexual”, esclarece. E segundo ele, não há nada de errado com os sadomasoquistas. “Esta é mais uma forma, comum, de se sentir prazer sexual”.

Oswaldo diz ainda que esse é um aprendizado muito difícil de ser modificado. “Isso porque ela segue as mesmas formas da produção do prazer sexual e erótico dos que não necessitam da dor para sentir prazer”, portanto, é como querer que, quem não é adepto da prática, passe a gostar. “Existe uma grande variação de necessidades de obtenção de prazeres entre os praticantes.”

E quais são os limites?

Como tudo na vida, há um limite. Segundo Oswaldo, qualquer ação que não produza lesões ou incapacite a pessoa pode ser encarada com naturalidade. “O que passa do limite é permitir ou desejar amputações, lesões incapacitantes e até a morte”, explica o especialista. “Passa dos limites, também, situações onde não exista o relacionamento consensual, ou que infrinja as leis, a exemplo de sexo com crianças”.

Apesar de não ser condenável, há detalhes que os amantes de práticas sadomasoquistas devem prestar atenção, para preservar a sua saúde. “Há muitas coisas que os envolvidos devem fazer, incluindo não permitir que se misturem possibilidades de contaminação cruzada com sangue durante os rituais BDSM. No Brasil, formou-se uma Associação, uma ONG, que busca organizar estas condições através de uma ‘manual’ de práticas sadomasoquistas saudáveis”.

Quando um gosta e o outro não

Outra dúvida muito comum é saber se é possível alguém que é sadomasoquista se relacionar com quem não é. Oswaldo diz que, na maior parte das vezes, é o que ocorre, mas o relacionamento se baseia em outras coisas que não o sexo. “Muitos casais se formam sem conhecerem estas necessidades ou tendências sexuais do outro”.

Por isso, ao perceberem que só podem vivenciar o ‘sexo baunilha’ (como denominam o sexo que não envolve BDSM), ou se conformam e mantém o relacionamento sem a prática ou desenvolvem uma vida em paralelo, quando vivenciam as formas BDSM. “Muitas vezes, essas pessoas vivem infelizes por causa dessa inadequação, mas também sem saberem como administrar esta condição”.

Uma situação completamente normal

Suzana*, que assume ser sadomasoquista, diz que já teve um relacionamento com um “baunilha” e deu certo. Na hora do sexo, faltava alguma coisa. “Nosso namoro não acabou por causa disso, não. Foram outros motivos... Mas eu confesso que sentia falta de certas coisas que eu não podia exigir que ele curtisse”, explica. “Dizer que BDSM é anormal é fazer um julgamento preconcebido e ignorante, por não conhecer a filosofia de vida dos praticantes.”

Quem assina embaixo é Leonardo*. “Anormal é desejar o mal da outra pessoa ou obrigar alguém sentir prazer só para te agradar. Aí é violência. O que se faz entre quatro paredes, entre maiores de idade e com o consentimento dos dois, não interessa a mais ninguém. Por isso, acho que quem não curte pode, simplesmente, não praticar e não interferir na vida de quem gosta.”

* Os nomes foram alterados a pedido dos entrevistados

Fonte: IG Estilo

domingo, 3 de maio de 2009

ACTO CRIADOR















Com gestos pagãos
dou forma-mulher
à tua estatura
e faço escultura
ao longo das mãos
Num golpe de mestre
renasço-te virgem
em obra criada
Já não és mulher
És só o fluido
que escorre de mim
ideia
vertigem
Depois uma fúria qualquer
começa a alastrar-se
em todo o teu corpo
Um vento selvagem
possui os teus braços
as pernas
o ventre
Um grito demente
percorre-te a voz
E és volúpia
o espaço
e a noite

Manuela Amaral

FATALISMO
















Amo o que em ti há de trágico. De mau.
De sublime. Amo o crime escondido no teu andar.
A tua forma de olhar. O teu riso fingido
e cristalino.
Amo o veneno dos teus beijos. O teu hálito pagão.
A tua mão insegura
na mentira dos teus gestos.
Amo o teu corpo de maçã madura.
Amo o silêncio perpendicular do teu contacto
A fúria incontrolável da maré
nas ondas vaginais do teu orgasmo.
E esta tua ausência
Este não-ser quem é.

Manuela Amaral

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Betty Page: puro fetiche!


Em 1950, um policial interessado em fotografia, tirou as primeiras fotos de Betty Page, nascida em Nashville, Tennessee, nos EUA. Também a apresentou a vários outros fotógrafos, dando iníco à carreira daquela que foi considerada a rainha das pin-ups.

Nos anos seguintes, Betty apareceu em várias revistas, como Wink, Eyeful, Titter, and Beauty Parade, mas sua consagração veio quando suas fotos aparecem nas revistas de Robert Harrison. Em 1955, Bettie ganhou o título de Miss Garota Pin-up Mundial." Foi também página central da Playboy e ganhou ainda o título de a Garota da Figura Perfeita, com suas fotos ilustrando desde capas de discos até cartas de baralho. Em 1957, desapareceu de cena no ápice da fama.

Nas décadas de 80 e 90, sua imagem foi resgatada por artistas das novas gerações como símbolo de uma beleza e feminilidade que transcende os padrões comuns. No final do ano passado (12/11/2008), faleceu aos 85 anos de pneumonia, em Los Angeles, na California.

Entre as imagens que a consagraram figuram muitas relativas a práticas BDSM como o bondage e o spanking. Nelas, Bettie aparece ora como Top ora como bottom, mas sempre bonita e sensual. Para os padrões atuais, onde impera a super-exposição e a magreza, seu visual era até casto e suas curvas muito acentuadas, mas sem dúvida ela lançou um modelo fetichista que até hoje tem adeptas (vide Madonna).

No vídeo abaixo, ao som de Venus in Furs (Vênus das Peles), do Velvet Underground, uma amostra da rainha das pin-ups.
Fonte: http://www.bettiepage.com/



Vênus in Furs

Shiny, shiny, shiny boots of leather
Whiplash girlchild in the dark
Clubs and bells, your servant, dont forsake him
Strike, dear mistress, and cure his heart

Downy sins of streetlight fancies
Chase the costumes she shall wear
Ermine furs adorn the imperious
Severin, severin awaits you there

I am tired, I am weary
I could sleep for a thousand years
A thousand dreams that would awake me
Different colors made of tears

Kiss the boot of shiny, shiny leather
Shiny leather in the dark
Tongue of thongs, the belt that does await you
Strike, dear mistress, and cure his heart

Severin, severin, speak so slightly
Severin, down on your bended knee
Taste the whip, in love not given lightly
Taste the whip, now plead for me

I am tired, I am weary
I could sleep for a thousand years
A thousand dreams that would awake me
Different colors made of tears

Shiny, shiny, shiny boots of leather
Whiplash girlchild in the dark
Severin, your servant comes in bells, please dont forsake him
Strike, dear mistress, and cure his heart

domingo, 29 de março de 2009

BDSM falso do programa Troca de Família

O programa Troca de Família, um reality show da Rede Record, apresentou a troca de membros de uma família conservadora (a mãe da família) por uma família supostamente bdsmista. A mãe da família conservadora foi viver com a família "bdsmista", e a "dominadora" foi viver com a família baunilha.
Acontece que a tal família bdsmista é apresentada no programa de forma tão lastimável (como algo meio insano, insalubre, promíscuo, grotesco) que revoltou a coletividade bdsmista séria que - obviamente - não se reconheceu naquela avacalhação.

Em protesto, uma participante da comunidade bdsmista real, escreveu um manifesto de repúdio ao apresentado pelo programa como BDSM, subscrito por muitos, incluindo eu mesma. Transcrevo abaixo o manifesto que explica mais detalhadamente o porque aquilo não é BDSM. A ordem é repassar o documento o máximo que puderem.

E para quem quiser ver o que não é BDSM, segue o link de partes do programa abaixo do texto do manifesto.
Manifesto de repúdio à falsa imagem feita acerca de BDSM (Sadomasoquismo) apresentada no programa “Troca de Família”, da Rede Record.
Antes de qualquer coisa, gostaria de explicitar que não sou a favor da exposição do meio BDSM ( conhecido pelos não conhecedores da sigla como sadomasoquismo somente ) através de que meios for. Entretanto, diante dos fatos me vejo no dever de me manifestar.

Nesta semana, mais especificamente nos dias 24 e 26 de março de 2009, foram ao ar mais dois episódios do notório reality show (Troca de Família) exibido semanalmente pela emissora de televisão, Record. Trata-se de um reality show onde famílias são expostas a uma experiência de troca em rede nacional, com objetivo de alcançarem como premiação a quantia de vinte e cinco mil reais. A troca é feita pelas mães, elas trocam de casa e assim permanecem durante uma semana, experimentando a vida e costumes da casa alheia.

No programa o choque de realidades é sempre muito explorado... Geralmente se vê realidades opostas ou ao menos contrastantes colocadas em teste através da experiência de troca.

Por geralmente não assistir ao programa, não sei dizer se o mesmo tem como estilo o sensacionalismo, ou se um caso à parte ocorreu nesta semana, onde foi exibida a realidade de uma família de sadomasoquistas. Por outro lado, envergonhada, admito que a família supracitada deixou muito a desejar, gerando assim um desfavor para com os adeptos do SM e seus reais valores.

Para todos os efeitos lanço meu repúdio e seguinte manifesto contra uma realidade mostrada de forma totalmente mentirosa e diferente do que realmente é o BDSM (sadomasoquismo).

A principio gostaria de tocar em um ponto que incomodou a mim e a muitos. A pressão que sofreu a mãe da família "convencional" para que participasse das cenas e acontecimentos da família fetichista.

Lastimável tal comportamento e totalmente oposto ao que temos como principio básico em BDSM (sadomasoquismo). A consensualidade é primordialmente respeitada em toda e qualquer relação BDSM, o respeito à opinião e vontade alheia acima de tudo é colocado como limite em SM. Ninguém força, vaia ou pressiona pessoas que não compartilhem deste prazer, a experimentarem, participarem ou sequer entenderem.

O que aconteceu naqueles episódios em relação a isso, nada mais é do que uma prova de que em todos os meios sempre existirão aqueles que andam na contra mão, desvirtuando, banalizando e envergonhando a essência do "todo". Mas como sabemos, são minoria e jamais representarão de fato a realidade do "todo".

Agora tocarei no ponto da higiene que enojou e causou calafrios aos telespectadores, inclusive a mim. Outro dos três principais pilares de BDSM (sadomasoquismo) consiste na noção de segurança. Sabemos que não há possibilidades de atingir 100% de segurança em nada que se faça na vida e em SM não seria diferente. Porém, o mínimo de demonstração de inteligência e responsabilidade que pessoas adultas e sãs podem ter é o cuidado consigo mesmas, com o que fazem, com o que gostam e para com aqueles aos quais querem bem.

Dentro desta noção se inclui a higiene física e condições de vida das quais desfruta uma pessoa. Isto se aplica a tudo e em BDSM ( sadomasoquismo) ganha ainda mais valor e atenção, uma vez que como pessoas maduras e sensatas na maioria das vezes, temos a consciência da extremidade de nossos gostos e consequente necessidade de maiores cuidados.

Aqueles piolhos, o cachorro e suas necessidades fisiológicas em meio a todos, etc e tal, me pareceram uma incrível brincadeira de muito mau gosto... Custo até a acreditar que não tenha sido sensacionalismo armado, porém não lançarei tal palavra uma vez que não tenho nada de concreto a respeito.

Mais uma vez insisto que tal realidade não passou da ilustração de vida de uma minoria, que imagino, isolou-se em sua conduta não condizente com o vivido pelos demais adeptos de SM.

Sem querer me exceder muito tocarei na questão da submissão e valorização desta condição pela parte submissa, em especial. Nos episódios supracitados foram vistas cenas que transmitiam uma noção geral de promiscuidade sem parâmetros, em relação aqueles que se diziam submissos e escravos da dominadora que ausentou-se.

Que espécie de submissão e servidão é essa, que se anula diante da ausência daquela a quem servem e submetem suas vidas, dando lugar ao desejo e busca por uma nova pessoa a quem servirem??? Nossa! Quantos equívocos foram apresentados neste programa!!!

Eu gostaria de deixar claro de um modo breve que em BDSM (sadomasoquismo) geralmente a parte submissa vive e deseja viver sua condição de modo fiel e leal àquele a quem adora e se submete, e por sua vez a parte dominante como direito e prazer, deseja a exclusividade. Desde modo, o que foi mostrado ali, mais uma vez, lamento dizer, não foi condizente com a realidade SM. Mesmo por que, ainda que assim não fosse, não seria um motivo forte o suficiente para abrigar a conduta dos participantes, que não souberam separar as coisas e viram como alvo de seu fetiche e prazer, uma senhora que nada tinha a ver com aquilo tudo e não tinha a menor obrigação de participar.

Em finalização, esclareço que acima nada mais fiz do que tocar em três assuntos muito respeitados e valorizados no meio BDSM (sadomasoquismo).

Me refiro a quando falei de "Sanidade", que possibilita a execução das praticas sadomasoquistas com responsabilidade, consciência e equilíbrio; da "Segurança", que é uma demonstração da sanidade, da preocupação e do zelo pelo bem estar e integridade física dos adeptos de SM e outros envolvidos; e por fim da "Consensualidade", que não foi devidamente mostrada pela família no programa. Estas três noções formam a notória sigla em BDSM: "SSC" ... Vivida e mantida em nossa comunidade como algo essencial.

Registro aqui estes esclarecimentos, em meu nome e em nome daqueles que em BDSM, assim como eu, se envergonharam e lamentaram diante da maneira lastimável e equivocada com a qual o mesmo foi representado.

Escrito em repúdio por Profane Malign _ AN

Apoiado por:

Grupo Nação BDSM
Sr. Algoz Noturno
Lestat D'Ladonia
{rianah}·····Lestat
Domme Morrigan
Labrador _ {DM}
Gata do Senhor Scoth
Domme Cruel
Mestre JB
Gata Selvagem
Rainha Neffer
Escrava lu
ACM
Lady Orquídea
Wal
Alícia
Domme Laura SM.....

domingo, 22 de março de 2009

O espírito do BDSM

Quando há cerca de 3 anos e meio me aproximei da coletividade bdsmista, institucionalizada em listas de discussão, blogs, sites e alguns pontos de encontro das grandes cidades brasileiras, uma das coisas que me surpreendeu foi a recorrência do tema sobre o que seria verdadeiro e falso no BDSM, quem seriam os verdadeiros e falsos Tops e bottoms, qual a medida dos verdadeiros praticantes do meio.

Primeiro, cumpre dizer que essa preocupação advém da banalização das práticas bdsmistas pela mídia, o que as popularizou e atraiu muita gente para a coletividade em busca de sexo fácil, selvagem ou – como se diz popularmente – de uma boa putaria, o que passa ao largo do BDSM real.

Segundo, que os próprios praticantes do meio, ao cotejar suas idéias e práticas, procuram estabelecer um padrão de qualidade para si mesmos e para os outros, parâmetros que, muita gente, contudo, considera uma camisa-de-força capaz de tolher a liberdade individual. Tanto que muitos se insurgem, equivocadamente, contra tentativas de estabelecer até critérios mínimos que permitam aos iniciantes, por exemplo, separar alhos de bugalhos.

Pessoalmente, acho que o que define se alguém é verdadeiramente bdsmista é simplesmente o desejo, desejo por dominar, ser dominado, ou ambos, excitação e realização sexual em torno de objetos e situações inusitadas aos olhos da normalidade.

Muito além das práticas exóticas, contudo, que inclusive são realizadas por quem não é bdsmista, nos casos mais light, o que diferencia mesmo o bdsmista do não-bdsmista é a aderência a relações verticais, hierarquizadas, onde sempre existe um(a) Top(agente) e um(a) bottom (paciente) nas inteirações entre os pares, onde alguém sempre dirige a relação e o outro alguém é dirigido, onde alguém sempre manda e outro alguém obedece, onde alguém serve e o outro alguém é servido.

Mesmo quem é switch (tem desejo tanto de dominar quanto de ser dominad@) vai assumir um papel ou outro, mas sempre em separado, em diferentes situações, em diferentes relações. Numa mesma situação (cena), a mistura de papéis não é bem vista, se bem que existam os que questionem essa regra.

Outra medida de verdadeiro é a adesão do praticante à santíssima trindade do BDSM, o princípio do são, seguro e consensual (SSC), implicando que, sejam quais forem as atividades envolvidas numa relação, tudo deve ser de inteiro acordo entre as partes e procurando preservar a saúde física e emocional de tod@s. BDSM não é violência, não é feito contra alguém, é feito com alguém visando ao prazer mútuo dos envolvidos na relação, mesmo quando as práticas são agressivas, causam dor e até deixam marcas. O que é de gosto é o regalo da vida, como diz o ditado.

Fora isso, essa questão de falso e verdadeiro se aplica mais às pessoas como seres humanos e não a seus papéis de Tops ou bottoms e não é muito diferente do que ocorre no mundo baunilha. Orientação sexual ou preferências sexuais não definem o caráter de ninguém, tanto faz se homem, mulher, trans, hetero, homo, bi, pan, baunilha, bdsmista, etcetera.

Separar o joio do trigo não é tarefa fácil, e às vezes a gente se engana, mas, principalmente no BDSM, trata-se de tarefa fundamental.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Algolagnia (2006)

Documentário sobre práticas de BDSM no Rio de Janeiro, a partir de depoimentos de 12 praticantes destas preferências sexuais, dirigido por Túlio Bambino, vencedor do I For Rainbow - Festival de Cinema da Diversidade Sexual, realizado em 2007, em Fortaleza.

sexta-feira, 13 de março de 2009

BDSM: o que significa?

Blog ou site que fale de BDSM e não traduza o acrônimo BDSM não é site ou blog que se preze. Não fugirei à regra portanto, inclusive porque lésbicas interessadas nas artes bdsmistas já me informaram querer aprender sobre o assunto.

O termo BDSM tem múltiplos significados: Bondage, Bondage & Discipline, Domination & Submission, Sadism & Masochism, na tradução, Amarração (B), Imobilização e Disciplina (BD), Dominação e Submissão (D/s) e Sadismo e Masoquismo ou sadomasoquismo (S/M, S&M, SM). Em geral, não se traduz bondage para o português, utilizando-se o termo no original.

A literatura internacional sobre o tema informa que, a princípio, todas as subdivisões estavam agrupadas sob a sigla SM, mas que as pessoas, engajadas nas diferentes práticas dessas subdivisões, acabaram reivindicando a evidenciação de suas especificidades porque não queriam se ver associadas às práticas violentas e abusivas, praticadas por pervertidos e psicos, como os de fora do meio equivocadamente costumam rotular o SM.

Na verdade, foi uma estratégia da comunidade internacional para tornar as práticas BDSM mais palatáveis ao paladar baunilha (não-praticantes de bdsm) e lhes tirar um pouco a pecha de anormalidade. Nem todos veem essa estratégia com bons olhos e preferem se identificar como sadomasoquistas simplesmente, mas a maioria aderiu à nova sigla que obteve de fato mais sucesso fora do meio. Na realidade, em geral, todos os praticantes de BDSM utilizam um pouco das diferentes práticas, variando apenas o grau de envolvimento em uma ou outra. E os próprios baunilhas também se apropriaram das atividades mais light do gênero para apimentar seus relacionamentos.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Alice Braga experimenta prazeres bdsm em 11 minutos

Onze Minutos é mais um dos romances de Paulo Coelho que vira roteiro de filme sob a direção de Hany Abu-Assad, de Paradise Now.

Trata-se da história de uma brasileira (Alice Braga) enganada por seu primeiro amor que se torna prostituta em um clube da alta sociedade em Genebra, administrado pelo personagem vivido pelo ator Mickey Rourke (de 9 semanas e meia de amor e o Lutador). O ator Vicent Cassel será um executivo musical que convence a brasileira a experimentar os prazeres do sadomasoquismo.

Outro nome cogitado para o elenco é o galã italiano Riccardo Scamarcio. O roteiro foi adaptado por Abu-Assad e o brasileiro Marcos Bernstein. As filmagens acontecerão no Brasil e em Genebra, na Suíça, a partir de 1º de junho.

Abaixo trechinho de 9 semanas e meia com Rourke (quando era bonito) e Kim Basinger para matar as saudades ao som de Slave to Love

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Fisting vaginal

Como disse no outro post, por volta dos anos 80/81, tive minhas primeiras experiências kink* com uma mulher. Embora nossa relação não fosse litúrgica (não tínhamos rituais), éramos um casal alternativo, não-baunilha decididamente. Com ela, iniciei minhas experiências com fisting vaginal, naturalmente, sem que ninguém tivesse me ensinado. Depois vieram outras mulheres com quem também pratiquei fisting.

Fisting é a palavra inglesa que significa penetração com o punho. Penetra-se literalmente a vagina (ou o ânus) até o punho. Curiosamente essa prática é considerada radical até no meio bdsmista. Já ouvi masocas hard, das que apreciam muita dor, dizer que tem medo de fazer fisting. A prática, contudo, quando bem feita, só traz prazer, prazer intenso.

E fazer bem feito significa fazer com calma e caprichar nas preliminares (e cada mulher e cada relação têm suas preliminares específicas). A mulher precisa estar bem excitada e bem relaxada para permitir a penetração. E alguns cuidados devem ser observados antes de começar.
1. Se tem uma parceira estável, pode dispensar as luvas de latex, mas é imprescindível que suas unhas estejam bem curtas e bem aparadas e não haja cortes ou arranhões em suas mãos ou dedos. Se tem algum tipo de lesão, melhor usar luvas. Muita gente argumenta que com luva a mão desliza melhor. Pessoalmente, prefiro sem.

2. Use muito lubrificante à base de água. Alguns lubrificantes agora aquecem o local onde tocam, o que pode ser mais agradável.

3. Faça primeiro penetração com um ou dois dedos. Utilize o polegar para excitar o clitóris.

4. Continue com o trabalho de excitação de sua parceira ou bottom enquanto faz um movimento de entra-e-sai.
5. Coloque mais um dedo e continue excitando e movimentando seus dedos na vagina.

6. Coloque o quarto dedo e repita todo os passos anteriores, não esquecendo de manipular o clitóris.
7. Agora coloque seu polegar no centro de sua palma (formando um bico de pato) e comece lentamente a empurrar sua mão para dentro da vagina, mantendo um movimento de vai-e-vem suave.
8. Na medida que você empurra seus dedos pela abertura da vagina, eles vão ficando todos comprimidos um contra o outro (formando o bico de pato).

9. Agora chegou a hora de passar os nós dos dedos pela abertura da vagina. Continue empurrando firme mas delicadamente. Esta é a parte mais difícil. Com a outra mão, continue estimulando o clitóris.

10. Ao passar os nós dos dedos pela abertura da vagina, o resto fica fácil. Um pouco mais de pressão e você já estará com a mão toda no canal vaginal.

11. Agora, na medida em que for empurrando, perceberá que os próprios limites do canal vaginal vão obrigando sua mão a formar o punho fechado. Na medida que empurra, o espaço diminue e seus dedos vão se curvando.

12. Formado o punho, geralmente é necessária uma ligeira rotação do mesmo, dentro da vagina, de modo que você possa ficar numa posição adequada para realizar o fist-fucking (foda de punho).

13. Mova então seu punho dentro da vagina da parceira, namorada, bottom, no ritmo que parecer mais adequado para vocês e module a força das estocadas. Importante lembrar que o colo do útero é uma região delicada. Muita força nas estocadas pode causar uma feridinha no colo que posteriormente terá que ser cauterizada.

14. Dependendo da flexibilidade das parceiras - e das fantasias envolvidas - a mulher poderá sentar em seu colo, com você sentada ou deitada.

15. Importante lembrar que toda a movimentação nesses casos deve ser feita lentamente e com todo o cuidado não só para evitar microlesões à vagina da mulher como para evitar torções na mão da que penetra. Movimento bruscos podem causar lesões a quem fista igualmente.

16. A retirada da mão deve ser também feita lentamente e com cuidado.

O fisting é uma experiência muito intensa e muito íntima. Não se deve beber durante a prática, a não ser por um copo de vinho ou uma dose de destilado para ajudar a relaxar. A bebida altera a percepção tanto de quem faz quanto de quem recebe o fisting, podendo levar a excessos na prática cujos resultados só se tornam perceptíveis depois de finda a atividade. Deve-se também usar e abusar dos lubrificantes para facilitar a penetração.
Existe controvérsia a respeito das origens do fisting. Baunilhas (pessoas não-bdsmistas) relacionam o fisting com o BDSM, considerando a prática importada do meio BDSM para o meio baunilha. Alguns bdsmistas, porém, afirmam que a prática veio do meio baunilha para o BDSM, que a adaptou à relação D/s.

Seja como for, é uma prática considerada - equivocadamente no meu entender - como amedrontadora por gregos e troianos. Para dissipar esses receios é só lembrar que por uma vagina passa um bebê, portanto, ela tem capacidade, com algumas exceções, de dilatação suficiente para acolher um punho. Nesse sentido, à parte as dicas acima, vale mesmo é o feeling de quem empunha e a comunicação entre as parceiras sobre o andamento da prática, dos limites da mulher que se empunha, seja por conversa direta ou palavra de segurança.

Abaixo, link para vídeo de 30 minutos, em inglês, de uma oficina sobre a técnica do fisting. Embora em inglês, a parte prática dispensa tradução. A oficinista fala, com algumas variações, das mesmas coisas abordadas neste post.
http://news.behindkink.com/blog/default/2008/01/15/Princess-Donna-Teaches-Class-on-Fisting-Techniques

* práticas sexuais kink (ou kinky) são as que transgridem as fronteiras do que é considerado "normal" em termos de sexualidade e visam aumentar as sensações eróticas entre parceir@s. Incluem bondage, Dominação e submissão, SM, vários tipos de fetichismo e outras práticas não-convencionais.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Coming to power

What Color Is Your Handkerchief: A Lesbian S/M Sexuality Reader (1979) e Coming to Power: Writing and graphics one Lesbian S/M (1982) foram os primeiros textos que li sobre bdsm entre mulheres nos idos da década de 80. Uma conhecida que fora aos EUA me emprestou as publicações do qual fiz cópias. Esses manuais eram de autoria do grupo Samois (pronuncia-se samuá), um grupo lésbico-feminista sadomasoquista.

Esse grupo, que existiu de 1979 a 1983, provocou enorme polêmica ao se assumir como sadomasoquista no Movimento Feminista americano. As discussões que o grupo trouxe a público dividiram as feministas em anti-sexo e pró-sexo durante toda a década de 80, década que, por esses debates, ficou conhecida como a década das Guerras Sexuais (Sex Wars).

Para muitos, o grupo Samois foi inclusive predecessor da teoria queer. Duas de suas participantes mais proeminentes, Pat Califia e Gayle Rubin, continuam atuantes até hoje. Em 1990, Califia publicou uma sequência do Coming to Power chamada The Second Coming: A Leatherdyke Reader. Ambos podem ser encomendados pela Amazon.com

Para mim, as questões trazidas pelas publicações do Samois, em 1982/83, representaram uma enorme abertura de cabeça, além de apoio num momento em que eu vivia minhas primeiras relações com características claramente bdsmistas com outras mulheres.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Under my thumb - Rolling Stones



Under my thumb
The girl who once had me down
Under my thumb
The girl who once pushed me around

Its down to me
The difference in the clothes she wears
Down to me, the change has come,
Shes under my thumb

Aint it the truth babe?

Under my thumb
The squirmin dog whos just had her day
Under my thumb
A girl who has just changed her ways

Its down to me, yes it is
The way she does just what shes told
Down to me, the change has come
Shes under my thumb
Ah, ah, say its alright

Under my thumb
A siamese cat of a girl
Under my thumb
Shes the sweetest, hmmm, pet in the world

Its down to me
The way she talks when shes spoken to
Down to me, the change has come,
Shes under my thumb
Ah, take it easy babe
Yeah

Its down to me, oh yeah
The way she talks when shes spoken to
Down to me, the change has come,
Shes under my thumb
Yeah, it feels alright

Under my thumb
Her eyes are just kept to herself
Under my thumb, well i
I can still look at someone else

Its down to me, oh thats what I said
The way she talks when shes spoken to
Down to me, the change has come,
Shes under my thumb
Say, its alright.

Say its all...
Say its all...

Take it easy babe
Take it easy babe
Feels alright
Take it, take it easy babe