quarta-feira, 20 de maio de 2009

Sadomasoquismo é normal?

Especialista em sexualidade explica quais são os limites para quem gosta desse tipo de fantasia

Vladimir Maluf

Muita gente fica horrorizada ao tomar conhecimento de certas práticas sexuais, principalmente as que envolvem algum tipo de dor. Mas para muita gente o sadomasoquismo é a maneira mais prazerosa de fazer sexo. Ou, como os praticantes chamam, BDSM (abreviação de Bondage, Dominação, Sadismo e Masoquismo). O psicoterapeuta sexual Oswaldo Rodrigues, que é diretor do Instituto Paulista de Sexualidade, explica: afinal, sadomasoquismo é normal?

Segundo ele, a dor pode ser muito próxima do prazer para muitas pessoas. “Para alguns, a obtenção de dor associada ao erotismo é muito importante e aprendida desde a infância. Ao associar constantemente o significado erótico às situações de submissão à dor, a pessoa passa a ser o que produz o prazer sexual”, esclarece. E segundo ele, não há nada de errado com os sadomasoquistas. “Esta é mais uma forma, comum, de se sentir prazer sexual”.

Oswaldo diz ainda que esse é um aprendizado muito difícil de ser modificado. “Isso porque ela segue as mesmas formas da produção do prazer sexual e erótico dos que não necessitam da dor para sentir prazer”, portanto, é como querer que, quem não é adepto da prática, passe a gostar. “Existe uma grande variação de necessidades de obtenção de prazeres entre os praticantes.”

E quais são os limites?

Como tudo na vida, há um limite. Segundo Oswaldo, qualquer ação que não produza lesões ou incapacite a pessoa pode ser encarada com naturalidade. “O que passa do limite é permitir ou desejar amputações, lesões incapacitantes e até a morte”, explica o especialista. “Passa dos limites, também, situações onde não exista o relacionamento consensual, ou que infrinja as leis, a exemplo de sexo com crianças”.

Apesar de não ser condenável, há detalhes que os amantes de práticas sadomasoquistas devem prestar atenção, para preservar a sua saúde. “Há muitas coisas que os envolvidos devem fazer, incluindo não permitir que se misturem possibilidades de contaminação cruzada com sangue durante os rituais BDSM. No Brasil, formou-se uma Associação, uma ONG, que busca organizar estas condições através de uma ‘manual’ de práticas sadomasoquistas saudáveis”.

Quando um gosta e o outro não

Outra dúvida muito comum é saber se é possível alguém que é sadomasoquista se relacionar com quem não é. Oswaldo diz que, na maior parte das vezes, é o que ocorre, mas o relacionamento se baseia em outras coisas que não o sexo. “Muitos casais se formam sem conhecerem estas necessidades ou tendências sexuais do outro”.

Por isso, ao perceberem que só podem vivenciar o ‘sexo baunilha’ (como denominam o sexo que não envolve BDSM), ou se conformam e mantém o relacionamento sem a prática ou desenvolvem uma vida em paralelo, quando vivenciam as formas BDSM. “Muitas vezes, essas pessoas vivem infelizes por causa dessa inadequação, mas também sem saberem como administrar esta condição”.

Uma situação completamente normal

Suzana*, que assume ser sadomasoquista, diz que já teve um relacionamento com um “baunilha” e deu certo. Na hora do sexo, faltava alguma coisa. “Nosso namoro não acabou por causa disso, não. Foram outros motivos... Mas eu confesso que sentia falta de certas coisas que eu não podia exigir que ele curtisse”, explica. “Dizer que BDSM é anormal é fazer um julgamento preconcebido e ignorante, por não conhecer a filosofia de vida dos praticantes.”

Quem assina embaixo é Leonardo*. “Anormal é desejar o mal da outra pessoa ou obrigar alguém sentir prazer só para te agradar. Aí é violência. O que se faz entre quatro paredes, entre maiores de idade e com o consentimento dos dois, não interessa a mais ninguém. Por isso, acho que quem não curte pode, simplesmente, não praticar e não interferir na vida de quem gosta.”

* Os nomes foram alterados a pedido dos entrevistados

Fonte: IG Estilo

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